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Gestão de riscos gera mais valor e competitividade para sua empresa

A identificação de riscos nas empresas é uma medida de gestão que segue a velha máxima popular: prevenir sempre é melhor do que remediar. Ou seja, trata-se de um primeiro passo para evitar possíveis danos e, assim, dar maior segurança ao negócio, ampliando a confiança de investidores e do mercado.

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A princípio, a gestão de riscos não parece tarefa complicada. Mas, no dia a dia das corporações, esse trabalho ainda tem muito a evoluir, principalmente aqui no Brasil, onde apenas 9% dos integrantes e coordenadores de comitês de auditoria e conselheiros de administração avaliam seus sistemas de gerenciamento de riscos como maduros e robustos. Na média global, esse índice é significativamente maior: 38%. É o que revela uma pesquisa feita pelo instituto ACI, dedicado a informações de auditoria e mantido pela consultoria KPMG, com mais de 800 pessoas em 42 países, incluindo o Brasil.

“O nosso resultado é alarmante, mas mostra também uma posição crítica dos brasileiros que atuam com esse tema. Há uma clara preocupação em melhorar a gestão de riscos nas empresas”, diz Sidney Ito, sócio da KPMG, com mais de 20 anos de experiência no assunto. “O mercado mudou muito e ganhou mais importância, principalmente nos últimos dois anos.”

Conhecer muito bem o negócio e entender a fundo a rotina da empresa, sua operação, os documentos produzidos e de que maneira as despesas são realizadas é fundamental para fazer um bom mapeamento dos riscos. Também é preciso avaliar com lupa os fatores externos que afetam o negócio, como, por exemplo, a concorrência, o funcionamento daquele mercado específico e a cadeia de suprimento. Para uma empresa que importa muitos produtos, a variação do câmbio é um importante risco a ser considerado. Já para uma cervejaria, a qualidade do reservatório de água é um fator crítico. Os riscos corporativos dependem muito do ramo de atividade de cada empresa, mas os mais comuns são os econômico-financeiros, de reputação, os legais ou regulatórios e os ambientais. Outro risco que cresce a cada dia é o cibernético. É só lembrar o ataque realizado no dia 12 de maio último que atingiu mais de 300 mil computadores em 150 países. Ele veio como uma bomba à espera no e-mail. Bastava um clique e os vírus se apropriavam das informações dos arquivos.

Identificar e combater as ameaças e suas consequências dá mais segurança ao negócio

Depois de levantados os riscos, é necessário traçar um plano de ação para combater ou ao menos atenuar suas consequências. A empresa que tem seus riscos mapeados consegue melhor avaliação no mercado. “Os investidores olham cada vez mais para essa atividade. É um forte indicativo de que a empresa é bem administrada, o que ajuda também na valorização das ações e na obtenção de crédito”, afirma Ito.

Momentos de transição como o que o país vive favorecem o avanço das áreas de controle de risco. “Há um claro movimento, na maioria das empresas, de combate à fraude, pois ela acaba tirando a competitividade”, diz o professor Dalton Sardenberg, especialista em governança da Fundação Dom Cabral. “Temos a Lei Anticorrupção, que prevê punição, e as companhias estão preocupadas não só com as multas, mas principalmente com a perda de reputação, de valor de mercado.”

Para Antonio Cocurullo, autor do livro Gestão de Riscos Corporativos e vice-presidente para a América Latina da empresa de auditoria Parker Randall, não existe negócio sem risco. Para ele, o risco faz parte da vida, em todos os aspectos e o tempo todo. “O que é preciso, no mundo dos negócios, é ter claro o limite da perda”, diz Cocurullo. “Quanto menor o controle, maior a probabilidade de perder. Cada vez mais, o mercado exige que as empresas tenham uma forte gestão sobre os riscos para dar mais confiança sobre seu negócio.”

A independência dos controles e dos auditores internos é fundamental para um bom trabalho de gerenciamento de risco. “O monitoramento não pode ser feito por uma pessoa envolvida diretamente com o trabalho que será analisado”, exemplifica Cocurullo. “Os responsáveis pelo monitoramento precisam ser independentes, senão o trabalho não funciona.” Os princípios são simples. Falta as empresas os adotarem.

Petrobras intensifica ações e alinha área ao plano de negócios

Os riscos hoje são avaliados em todas as decisões estratégicas da estatal, que mapeou 21 categorias de ameaças seguidas de ações para sua redução

Os avanços na área de gestão de riscos da Petrobras se intensificaram nos últimos dois anos e hoje abrangem não apenas o tradicional aspecto econômico-financeiro, mas também os operacionais, os estratégicos e de negócios, de conformidade, de imagem e reputação, entre outros. Ao todo, a empresa mapeou 21 categorias de riscos, relacionando centenas de fatores e ações para sua redução. Esse mapa está integrado ao planejamento estratégico e ao plano de negócios 2017-2020. Os riscos são considerados em todas as decisões estratégicas da Petrobras e a gestão é sempre realizada de maneira integrada. “Hoje em dia, tão importante quanto ter iniciativas para agregar valor é ter iniciativas que reduzam as chances de perder valor”, afirma o gerente de análise quantitativa de riscos da Petrobras, Leonardo de Almeida Matos Moraes.

No ano passado, 12 mil fornecedores da Petrobras passaram por raio X
através de processos de due diligence 

Para ter mais transparência nas contratações, no ano passado, a Petrobras passou por raio X 12 mil fornecedores por meio do processo de due diligence (avaliação de integridade), para atestar se eles são idôneos e obedecem à lei. As empresas analisadas representam 90% do cadastro de fornecedores da companhia. Essa ação é uma das principais medidas de uma série de melhorias em processos licitatórios, de contratações e de auditorias dos serviços prestados por terceiros à companhia.

A Petrobras está empenhada também em disseminar a cultura de gerenciamento de riscos a todos os seus funcionários. Para isso, vem realizando treinamentos e cursos, encontros com gestores para trocar experiências com diversas empresas, entre outras ações.

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Moody’s e Standard & Poor’s melhoram rating da companhia

As ações estruturadas da Petrobras para reduzir sua exposição aos riscos já começam a surtir efeito, principalmente na área econômico-financeira. Neste ano, duas agências de classificação de risco, a Moody’s e a Standard & Poor’s, melhoraram a classificação da estatal.

Em abril, a Moody’s elevou a nota da dívida corporativa da Petrobras de B2 para B1 e alterou a perspectiva da classificação de estável para positiva. A agência destacou o avanço contínuo do perfil de liquidez da estatal. Também reconheceu o compromisso da administração com as metas financeiras e operacionais estabelecidas no plano de negócios e gestão da companhia.

Em fevereiro, a Standard & Poor’s já tinha anunciado a melhora da classificação de risco da dívida corporativa da Petrobras de B+ para BB- e alterou a perspectiva de negativa para estável. Segundo a agência, a nova nota reflete a evolução da sua liquidez e uma robusta posição de caixa que confere à empresa maior capacidade para lidar com possíveis contingências.

A agência ressaltou os avanços na governança corporativa e as medidas adotadas pela Petrobras para aprimorar controles internos, relacionamento com fornecedores e processos de tomada de decisão.

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